BRASIL E RÚSSIA ESTREITAM
RELAÇÕES
O Ministro de Governo de
Moscou, chefe do Departamento de Recursos Alimentícios, Alexander Baburin, juntamente
a uma delegação russa formada por empresários
e lideranças do governo- entre eles o Cônsul-Geral
Igor Morozov- visitou o país em fevereiro último,
quando formalizou o Protocolo de Intenções
que permite a Rússia importar 60 mil toneladas de
carne bovina brasileira e exportar 1 milhão de toneladas
de trigo russo ao Brasil.
O primeiro embarque de carne
brasileira está previsto
para abril, quando serão destinadas mas de 7 mil toneladas
a Moscou. A transação está sendo feita
entre a cidade russa, as entidades brasileiras que representam
os produtos- ABIEC e ABITRIGO- e a Câmara de Comércio
e Indústria Brasil-Rússia em São Paulo.
Independente da Federação da Rússia,
Moscou pode realizar negócios com outros países
desde que respeite a cota de importação do
país.
Com problemas de abastecimento
em gêneros alimentícios,
Moscou apresenta-se como um potencial mercado- cresce a uma
taxa anual de 10% e, somente no ano passado, importou 748
mil toneladas de carne. No mesmo período, as exportações
brasileiras para a Rússia chegaram a US$ 1.3 bilhão.
Deste valor 80% são de produtos agrícolas e
a carne é o item majoritário. “Estou
certo de que será interessante acharmos pontos comuns
entre Moscou e São Paulo”, disse o Ministro
russo em coletiva a imprensa, na capital paulista. Baburin
também destacou a estabilidade e segurança
que caracterizam a cidade de Moscou como uma boa cliente. “O
Departamento de Abastecimento está ligado a Prefeitura
de Moscou, o que faz dela um comprador estável”,
completa. Além das carnes bovina, suína e de
ave, a delegação russa pretende estabelecer
negócios para o cafá, açucar e trigo.
Após a coletiva, o Ministro e a comitiva estiveram
em Brasilia para tratar do atendimento a Portaria 59, referente
a exportação de grãos, que não
devem conter nenhuma praga exótica. Com este item
acordado, os dealers de Moscou estariam habilitados a exportar
o produto, porém, não se sabe como isso será feito
por Moscou.
Em visitas a empresas locais, a delegação reconheceu
a preocupação brasileira com as quotas de importação-
em especial a do frango- mas já avisou que elas tem
um caráter mais político, fundamental para
determinar limites äs relações dos países. “A
cota não se refere apenas ao fornecimento de carne.
Trata-se de uma medida de segurança da Rússia
para aumentar a produção, que não atrapalhará as
negociações”, garantiu o Ministro russo.
Atualmente, as cotas de
carne bovina e suína são
as mais flexíveis- 315 mil e 337,5 mil toneladas,
respectivamente para os traders russos. Já as de frango
permanecem rígidas- 33,5 mil toneladas- só para
o Brasil. Os números são para o período
de abril a dezembro de 2003.
Mais visitas
Ao longo de 2003, a Câmara Russa pretende trazer ao
Brasil um senador- até o fim de fevereiro- e governadores
de outras regiões da Rússia para articular
negócios. “Atualmente, somos a terceira maior
Câmara no Brasil, uma equipe de russos ob minha coordenação é responsável
por ‘costurar’ os acordos entre os empresários
dos países e governo.
O suporte na Rússia é vital para que os traders
brasileiros negociem. “Somente 10% da população
russa fala inglês, o que torna difícil uma empresa
brasileira negociar sozinha”, conclui.
Fonte: Revista Nacional da Carne n. 312- Ano XXVII, Fevereiro
de 2003
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